Nas histórias de encantar, encontramos muitas vezes a chegada do príncipe encantado num cavalo branco. Com a donzela, que o espera ansiosamente, vão viver uma história de amor verdadeiro. Talvez o paralelismo com a nossa Missão do Gungo não seja muito perfeita, mas ocorreu-me porque o Pe. David, desde que recebemos o jipe, sempre lhe chamou o nosso “cavalinho” branco.
Sendo o jipe o cavalinho branco, a donzela será o povo do Gungo, que ansiosamente, cheio de esperança, rezou durante muitos anos para ver chegar alguém que o apoiasse e partilhasse consigo a vida. A fé e a esperança deste povo são enormes! E embora a sua história esteja longe de ser uma história de encantar, não há quem esteja com este povo e não venha de lá encantado! Os sorrisos, a alegria e a fé do Gungo entram direitos ao coração, aninham-se e não nos deixam mais… Foi assim que, ainda só vendo os filmes do grupo missionário, senti que Deus me chamava a estar aqui.
Depois temos o príncipe encantado, que são todos aqueles que de algum modo contribuíram para que este jipe aqui estivesse hoje! Todas as crianças e jovens que deram os seus 50 cêntimos na campanha dos autocolantes… todos os Diocesanos de Leiria-Fátima, e não só, que se deixaram tocar por esta missão e deram o seu tempo, ou dinheiro, para a concretização deste projecto… todos os que na Áustria contribuíram para a M.I.V.A., que nos apoiou nesta compra… São vocês o Príncipe encantado, esperado e aguardado pelo nosso povo do Gungo!
E não pode ser esquecido o amor verdadeiro! O amor que une a donzela e o seu príncipe encantado… o amor que une este povo e cada um de nós! Esse amor é Deus! É por Ele que todos os fins-de-semana o nosso cavalinho percorre quilómetros de uma picada cada vez mais intransitável… para que o Seu Amor nos una, para que partilhemos a vida!
Esta é a história muito resumida do nosso cavalinho branco… quem participou nela não a esqueça e acrescente sempre todos os pormenores de que se recordar porque é assim que este povo vai recebendo o que tanto anseia: o amor de Deus trazido pelos irmãos!
ESTAMOS JUNTOS!
Vera*
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sábado, 7 de abril de 2007
terça-feira, 3 de outubro de 2006
Como vai a nossa missão
Se é verdade que em Portugal a vida não pára, e é bem acelerada, também é verdade que estes primeiros dois meses de missão, apesar do diferente ritmo africano, têm já muitas histórias e emoções vividas… aqui fica a tentativa de os resumir para o nosso jornal!
Tenho de começar pela chegada a Luanda e pelo choque que se sente face às condições de vida que se nos deparam… o crescimento desequilibrado, os bairros com ruas de lixo e águas paradas e sujas… a dificuldade de aceitar que o que vemos existe mesmo! Depois a viagem até ao Sumbe percorrendo pela primeira vez estradas esburacadas que se hão-de tornar rotineiras. Por contraste com a capital, surge o encantamento com a cidade do Sumbe e, posteriormente, o deslumbramento com o Gungo! A paisagem, e sobretudo a população com os seus sorrisos, palmas, cânticos e alegria contagiantes, a magia de um terço rezado com fé à volta da fogueira – e não podemos esquecer os 314 baptismos já celebrados! Cada zona no Gungo tem o seu encanto especial e as suas especificidades na paisagem, mas os “tchaués” e os sorrisos das crianças são semelhantes!
Não posso esquecer as novas condições de vida… esforçamo-nos para nos adaptarmos à alimentação (provar os novos sabores, descobrir o que se gosta, ou não!) e à falta de luz eléctrica e água potável; estabelecem-se os primeiros contactos com aranhões, mosquitos, grilos, morcegos, ratos, baratas, sardões, e osgas, com as galinhas, porcos e cabritos que existem por todo o lado, vemos ao longe macacos, esquilos, galinhas do mato, canta-pedra, aves de rapina, tucanos, formiga quissonde… e aprende-se que “isto também é missão”: estar com as pessoas (“a primeira tarefa do missionário é sentar”), celebrar Cristo Vivo, esperar (os contentores, os vistos de residência, o início das obras…), “chocalhar” na picada, cozinhar todos os dias, carregar (caixotes, telhas, vigas, cimento, tijolo, baldes com água), aprender a sonhar, estar disponível para os imprevistos, conviver em grupo… encontrar um ritmo de partilha, de vivência, que concilie o descanso necessário para evitar as doenças (que temos conseguido evitar, graças a Deus) e o trabalho a realizar.
A missão é um grande desafio que agradeço todos os dias a Deus por mo ter dirigido! Bendigo a coragem de o ter aceite, o apoio dos que ficaram, a ajuda dos que participam no projecto e o acolhimento dos que nos recebem! Que mais posso dizer a não ser: Ame ndukupandula Ñgala! (Eu te agradeço Senhor!)
Estamos juntos! Tchauéééé*
Vera *
Tenho de começar pela chegada a Luanda e pelo choque que se sente face às condições de vida que se nos deparam… o crescimento desequilibrado, os bairros com ruas de lixo e águas paradas e sujas… a dificuldade de aceitar que o que vemos existe mesmo! Depois a viagem até ao Sumbe percorrendo pela primeira vez estradas esburacadas que se hão-de tornar rotineiras. Por contraste com a capital, surge o encantamento com a cidade do Sumbe e, posteriormente, o deslumbramento com o Gungo! A paisagem, e sobretudo a população com os seus sorrisos, palmas, cânticos e alegria contagiantes, a magia de um terço rezado com fé à volta da fogueira – e não podemos esquecer os 314 baptismos já celebrados! Cada zona no Gungo tem o seu encanto especial e as suas especificidades na paisagem, mas os “tchaués” e os sorrisos das crianças são semelhantes!
Não posso esquecer as novas condições de vida… esforçamo-nos para nos adaptarmos à alimentação (provar os novos sabores, descobrir o que se gosta, ou não!) e à falta de luz eléctrica e água potável; estabelecem-se os primeiros contactos com aranhões, mosquitos, grilos, morcegos, ratos, baratas, sardões, e osgas, com as galinhas, porcos e cabritos que existem por todo o lado, vemos ao longe macacos, esquilos, galinhas do mato, canta-pedra, aves de rapina, tucanos, formiga quissonde… e aprende-se que “isto também é missão”: estar com as pessoas (“a primeira tarefa do missionário é sentar”), celebrar Cristo Vivo, esperar (os contentores, os vistos de residência, o início das obras…), “chocalhar” na picada, cozinhar todos os dias, carregar (caixotes, telhas, vigas, cimento, tijolo, baldes com água), aprender a sonhar, estar disponível para os imprevistos, conviver em grupo… encontrar um ritmo de partilha, de vivência, que concilie o descanso necessário para evitar as doenças (que temos conseguido evitar, graças a Deus) e o trabalho a realizar.
A missão é um grande desafio que agradeço todos os dias a Deus por mo ter dirigido! Bendigo a coragem de o ter aceite, o apoio dos que ficaram, a ajuda dos que participam no projecto e o acolhimento dos que nos recebem! Que mais posso dizer a não ser: Ame ndukupandula Ñgala! (Eu te agradeço Senhor!)
Estamos juntos! Tchauéééé*
Vera *
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